segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uniformização dos ambulantes da orla carioca deixará praias menos coloridas

A alegria, irreverência e colorido das areias cariocas estão ameaçados com a nova medida tomada pela prefeitura de impor o uso de uniforme aos ambulantes que atuam na orla marítima. Essa e outras regras, como a proibição da venda de churrasquinhos, queijos, salgados e camarão no espeto, constam no edital de convocação de recadastramento dos vendedores, tornado público no dia 01/09/09 pela Secretaria Especial da Ordem Pública.

Essa medida irá prejudicar os ambulantes que trabalham a identidade visual de seus negócios. Nós, do Sucolé do Claudinho, por exemplo, somos identificados pelas cores do nosso vestuário e material de trabalho (vermelho e amarelo) e pelo logotipo estampado em nossas camisetas. Mesmo a uma distância de 100 metros do calçadão, em dias de praia cheia, é possível sermos localizados na areia, graças ao nosso visual!

Imagine o vendedor de lanches árabes e outros nessa linha usando o uniforme da prefeitura. Todos ficarão iguais, sem características próprias que fazem com que sejam identificados pelo seu público. Com certeza, esses vendedores terão que gritar muito mais para serem notados e acabarão, sem querer, colaborando com a poluição sonora da orla.

A liberdade do ambulante de usar sua criatividade para ganhar a simpatia do público, se não fere os direitos de terceiros, não pode ser reprimida. Os trajes e adereços usados pelos ambulantes que possuem uma identidade visual, ao lado das estampas dos biquínis das cariocas ajudam a manter o colorido e alegria das praias.

Sou totalmente a favor de estratégias que auxiliem a prefeitura a ter mais controle sobre os ambulantes. No entanto, não acredito que a uniformização seja a solução mais apropriada, já que um uniforme pode ser falsificado, emprestado ou comprado. Portanto, ele não dará a garantia de que somente os que obtiveram licença trabalhem na orla.

Sugiro que a prefeitura lance mão de um outro método para a identificação dos vendedores. Uma boa alternativa seria um crachá com foto e número do R.G do vendedor, assim além de facilitar o reconhecimento dos cadastrados, não interferiria no visual de parte dos ambulantes.

Quanto à marca da prefeitura, esta poderia aparecer nos trajes característicos dos vendedores, de modo sutil. Eu, por exemplo, criei um modelo de camiseta para a equipe do Sucolé do Claudinho, que ajudará na divulgação do Pan 2016,levando a marca do evento e claro, da prefeitura também.

É importante lembrar que em 2007, fui escolhido pelo público, numa eleição promovida pelo jornal RJTV, da Rede Globo, como representante desse símbolo do verão carioca que é o vendedor ambulante.

Já fui convidado para levar o Sucolé do Claudinho a diversos eventos, já dei palestras e tenho entre meu público, pessoas muito conhecidas e influentes. Isso eu devo principalmente a minha identidade visual e confiança conquistada em 20 anos de praia. Nós, ambulantes, não podemos ser descaracterizados. Estamos unidos nessa causa!

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